Exercícios

Exercícios

Questão 1

Na esteira da discórdia entre judeus e palestinos nos territórios por eles disputados está o movimento sionista, apontado por muitos como um dos principais elementos relacionados com o aumento das tensões entre ambos os lados da questão. De toda forma, o sionismo não é a causa do problema em si, mas um de seus fatores históricos mais importantes.

Entende-se por sionismo:

a) a intenção proeminente dos povos árabes de tentar erradicar os judeus do Oriente Médio.

b) a crença religiosa de que judeus e muçulmanos são povos excludentes e que jamais entrarão em paz.

c) a busca dos judeus pela Terra Prometida, nos arredores de Jerusalém, com a consequente criação de seu Estado-Nação.

d) o movimento de resistência dos judeus frente às constantes ameaças árabes promovidas em todo o mundo.

Questão 2

Entre os vários eventos ocorridos no conflito entre Israel e Palestina, citam-se duas das guerras árabe-israelenses: a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra do Yom Kippur (1973). Esses conflitos representaram, respectivamente:

a) a anexação por parte de Israel de vários territórios dos países árabes circundantes e a posterior tentativa desses países de reaverem as suas áreas.

b) o ataque deliberado dos palestinos contra os territórios israelenses e a intervenção militar estadunidense na região.

c) a resposta militar da Liga Árabe à criação do Estado de Israel pela ONU e a ofensiva militar israelense para retomar sua soberania territorial.

d) o combate inicial realizado entre Israel e Egito pelo Canal de Suez e a tentativa dos palestinos de agruparem para si a posse desse estratégico ponto de disputa.

Questão 3

Enem – 2007 (adaptado)

Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou um plano de partilha da Palestina que previa a criação de dois Estados: um judeu e outro palestino. A recusa árabe em aceitar a decisão conduziu ao primeiro conflito entre Israel e países árabes. A segunda guerra (Suez, 1956) decorreu da decisão egípcia de nacionalizar o canal, ato que atingia interesses anglo-franceses e israelenses. Vitorioso, Israel passou a controlar a Península do Sinai. O terceiro conflito árabe-israelense (1967) ficou conhecido como Guerra dos Seis Dias, tal a rapidez da vitória de Israel. Em 6 de outubro de 1973, quando os judeus comemoravam o Yom Kippur (Dia do Perdão), forças egípcias e sírias atacaram de surpresa Israel, que revidou de forma arrasadora. A intervenção americano-soviética impôs o cessar-fogo, concluído em 22 de outubro.

A partir do texto acima, assinale a opção correta.

a) A primeira guerra árabe-israelense foi determinada pela ação bélica de tradicionais potências europeias no Oriente Médio.

b) Na segunda metade dos anos 1960, quando explodiu a terceira guerra árabe-israelense, Israel obteve rápida vitória.

c) A guerra do Yom Kippur ocorreu no momento em que, a partir de decisão da ONU, foi oficialmente instalado o Estado de Israel.

d) Apesar das sucessivas vitórias militares, Israel mantém suas dimensões territoriais tal como estabelecido pela resolução de 1947 aprovada pela ONU


Acordos de Paz

As grandes potências do período da Segunda Guerra Mundial firmaram acordos para estabelecer as punições a serem aplicadas àqueles países que fossem derrotados na guerra, as discussões sobre esse assunto tiveram início antes mesmo do término do conflito.

Aconteceu em 1945 a Conferência de Yalta, na qual os líderes participantes foram Roosevelt (EUA), Primeiro-Ministro inglês Churchill e o soviético Stalin, nessa conferência ficou definido que a Alemanha seria fragmentada em zonas de ocupação.

Na Declaração de Potsdam, o território alemão e Berlim seriam monitorados por quatro diferentes países em forma de zona de influência, sendo ocupada por russos, ingleses, franceses e norte-americanos. Além de cobrar uma indenização por causa da guerra estipulada em 20 milhões de dólares.

Na Conferência de São Francisco foi criada a ONU (Organização das Nações Unidas), instituição de caráter internacional que tem por princípio zelar pela paz entre os povos, além de preocupação com as questões financeiras, políticas, sociais e culturais, tentando constantemente harmonizar as relações entre os povos. Dentre os vários órgãos da ONU estão:

– Assembleia Geral, é formada por todos os líderes dos países que integram, é realizada discussões de âmbito globalizado sobre assuntos da esfera de ação da Carta da ONU.

– Conselho de Segurança, tem como finalidade promover medidas que garantem a paz e a segurança no mundo.

– Corte Internacional de Justiça, é um órgão de caráter jurídico da ONU, considerado um dos principais da instituição.

– Secretaria Geral, corresponde a um secretário geral, esse é o cargo mais importante da ONU, sua escolha é realizada por meio de assembleia.

– Conselho Econômico e Social, desenvolve projetos de caráter não político, é um órgão executivo da Assembleia Geral.

Soldados da ONU em missão de paz

Israel x Palestina

Israelenses e palestinos realizaram diversas tentativas de alcançar a paz. Em mais de 40 anos desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, houve diversos planos e negociações de paz no Oriente Médio.

Alguns foram considerados bem-sucedidos, como os firmados entre Israel e Egito e entre Israel e Jordânia, mas a disputa central entre israelenses e palestinos ainda não foi resolvida. O analista da BBC, Paul Reynolds, explica as principais propostas de paz e o que aconteceu com elas.

O acordo mediado por Carter foi considerado um dos mais bem-sucedidos

O analista da BBC Paul Reynolds explica as principais propostas de paz e o que aconteceu com elas.

Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, 1967

A resolução encarna o princípio que tem guiado a maioria dos planos subsequentes: a troca de terra por paz.

Ela pedia “a saída das Forças Armadas israelenses dos territórios ocupados no conflito daquele ano, como Jerusalém Oriental, a península do Sinai, Cisjordânia e as colinas de Golã, e o “respeito pela soberania, integridade territorial e independência política de cada Estado na região e seu direito de viver em paz”.

Mas a resolução é famosa por sua imprecisão ao pedir a retirada israelense de “territórios”.

Israel argumentou que isso não significava necessariamente a retirada de todos os locais ocupados.

Camp David (EUA), 1978

Houve diversos planos de paz após 1967, mas nada de significativo aconteceu até depois da guerra de 1973, que abriu espaço para uma nova iniciativa pela paz, como mostra a visita a Jerusalém do então presidente egípcio, Anwar Sadat, em novembro de 1977.

O presidente dos EUA na época, Jimmy Carter (1977-81), capitalizou em cima desse espírito e convidou Sadat e o então premiê israelense, Menachem Begin, para conversas em Camp David.

O primeiro acordo expandia a resolução 242, pedia negociações multilaterais para resolver o “problema palestino”, falava em um tratado entre Israel e Egito e instava a assinatura de outros tratados entre Israel e seus vizinhos. Mas a fraqueza deste primeiro acordo foi que os palestinos não participaram das negociações.

O segundo acordo tratava da paz entre Israel e Egito, o que ocorreu em 1979, com a saída de Israel da península do Sinai, ocupada desde 1967. Isso resultou no primeiro reconhecimento do Estado de Israel por parte de um país árabe.

São talvez as mais bem-sucedidas conversas do processo de paz. O acordo durou, apesar de tensões posteriores entre Israel e Egito e de Sadat ter sido assassinado.

Conferência de Madri, 1991

Resultou em um tratado de paz entre Israel e Jordânia em 1994, mas as conversas israelenses com o Líbano e a Síria avançaram pouco desde então, complicadas por disputas de fronteira e pela guerra de 2006 entre Israel e militantes libaneses do Hezbollah.

Acordo de Oslo, 1993

As negociações de Oslo tentaram contemplar o que faltara em todas as conversas prévias, como um acordo direto entre israelenses e palestinos, representados pela OLP (Organização pela Libertação da Palestina).

Sua importância é que resultou no reconhecimento mútuo entre Israel e a OLP.

O acordo estipulava que tropas israelenses deixariam a Cisjordânia e Gaza, que um governo interino palestino seria montado para um período de transição de cinco anos, abrindo caminho para a formação de um Estado palestino.

O grupo Hamas e outros palestinos não aceitaram os termos de Oslo e iniciaram ataques suicidas contra Israel, que por sua vez enfrentou a oposição de colonos israelenses e outros setores da sociedade.

O acordo foi assinado em 1993, na Casa Branca, onde, sob a mediação do presidente americano Bill Clinton, Yasser Arafat, líder da OLP, e Yitzhak Rabin, premiê israelense, apertaram as mãos. Mas seus termos foram apenas parcialmente implementados.

Israelenses e palestinos reconheceram-se mutuamente em 1993

Camp David, 2000

O objetivo de Clinton era tratar de temas como fronteiras, Jerusalém e refugiados, que haviam sido deixados de lado em Oslo.

Mas não houve acordo entre Arafat e o então premiê de Israel, Ehud Barak. O problema foi que o máximo oferecido por Israel era menos do que o mínimo que os palestinos estavam prontos para aceitar.

Israel ofereceu a faixa de Gaza, uma grande parte da Cisjordânia e terras do deserto de Negev, mas mantendo grandes assentamentos em Jerusalém Oriental. Os palestinos queriam começar com a reversão das fronteiras determinadas pela guerra de 1967 e pediam o reconhecimento do “direito de retornar” dos refugiados palestinos.

O fracasso de Camp David foi seguido pelo segundo levante palestino conhecida como Intifada.

Barak (esquerda) e Arafat não se entenderam em 2000

Taba, 2001

Houve mais flexibilidade quanto à questão territorial, mas um comunicado posterior dizia ter sido “impossível chegar a um entendimento em todas as questões”.

Com a eleição de Ariel Sharon em Israel, em 2001, o acordo foi abandonado.

Iniciativa de Paz Árabe, 2002

Após o fracasso dos diálogos bilaterais e da volta dos conflitos, o plano saudita retomou uma abordagem multilateral e sinalizou o interesse árabe em pôr fim às disputas ente israelenses e palestinos.

Segundo o plano, as fronteiras voltariam à configuração de 1967, um Estado palestino seria estabelecido em Gaza e Cisjordânia e haveria uma “solução justa” ao problema dos refugiados. Em troca, os países árabes reconheceriam Israel.

Sua força é o apoio árabe à solução de dois Estados. Sua fraqueza é que instou as partes a negociar os mesmos temas em que elas haviam falhado até então.

Mapa da Paz, 2003

O plano proposto pelo “Quarteto” (EUA, Rússia, União Europeia e ONU) que negocia a paz no Oriente Médio, não dá detalhes sobre um acordo final, mas sim diretrizes sobre como chegar a ele.

A proposta foi precedida de um comunicado, em junho de 2002, de George W. Bush, que propunha fases para pôr a segurança antes de um acordo final:

– Fase 1: Declaração dos dois lados apoiando a solução de dois Estados. Palestinos poriam fim à violência e agiriam contra os que estivessem “engajados no terror”, criariam uma Constituição e fariam eleições; israelenses parariam de construir assentamentos ou ampliar os já existentes e conteriam ações militares

– Fase 2: Criação de um Estado palestino, em conferência internacional, com “fronteiras provisórias”

– Fase 3: Conversas finais

O Mapa da Paz não foi implementado, mas segue sendo um ponto de referência para as negociações.

Acordo de Genebra, 2003

Revisa os conceitos do Mapa da Paz em que a segurança e a confiança precederiam um acordo político.

O maior compromisso de Genebra era que os palestinos desistissem de seu “direito de retorno” em troca de praticamente toda a Cisjordânia. Israel desistiria de grandes assentamentos, como Ariel, mas manteria outros perto da fronteira.

Os palestinos teriam sua capital em Jerusalém Oriental, mas Israel manteria a soberania sobre o Muro das Lamentações, na Cidade Velha.

Annapolis (EUA), 2007

O premiê israelense Ehud Olmert e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, participaram de negociações com o Quarteto e mais de uma dúzia de países árabes.

Mas o Hamas, que ganhara as eleições parlamentares em Gaza em 2006 e dominara no ano seguinte a região, não estava representado e disse que não se comprometeria com nenhuma decisão tomada em Annapolis.

Após um comunicado conjunto, Olmert e Abbas tiveram reuniões regulares para acordar questões de fronteira, mas as negociações foram interrompidas pela ofensiva militar israelense em Gaza no final de 2008.

As negociações de 2007 foram interrompidas após a ofensiva israelense em Gaza

Palestina

A Palestina, assim batizada pelos ingleses, em latim conhecida como Syria Palaestina, e em árabe trasncrita como Filastin, é uma área localizada entre o Mediterrâneo, na porção oeste; o Rio Jordão e o Mar Morto no Leste; fazendo fronteira no norte com o Líbano, aí chamada de Escada de Tiro; e no sul com o Sinai egípcio, na região denominada Wadi el-Ariche. Ela é composta por uma planície litorânea, uma extensão de colinas e uma cadeia montanhosa que compreende, no lado oriental, uma faixa de terra praticamente desértica.

O espaço geográfico que, até 1948, pertencia completamente à Palestina, está hoje repartida em três regiões – uma corresponde a Israel e as outras, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, habitadas em grande parte por árabes de origem palestina, compreendem o almejado Estado da Palestina, mas continua ocupado por israelenses, na ausência de um tratado de paz definitivo. O povo palestino se encontra atualmente disseminado em países árabes ou em territórios reservados aos refugiados.

Desde a era pré-histórica há registros da história palestina, normalmente associada aos destinos da Fenícia, da Síria e da Transjordânia, fronteiriças ao território palestino. Ela forma uma estreita passagem entre a África e a Ásia, simultaneamente localizando-se próxima à Europa, o que propiciou a exércitos invasores, africanos, asiáticos e europeus, ocuparem incessantemente esta região. Somente sob o jugo estrangeiro esta área obteve uma certa unificação política.

Por volta do século XV a.C. a Palestina foi conquistada pelos egípcios, sob o poder de Tutmósis III, e politicamente dividida em cidades-estado. Escapando das mãos do Egito no fim da XVIII dinastia, foi resgatada pelo faraó Seti I e depois por Ramsés II. Logo depois esse povo perdeu seu vigor e a região foi sendo dominada pelos Povos do Mar, nos últimos momentos do século XIII a.C. Destes povos se destacam os filisteus, que se estabelecem principalmente no sudoeste, instituindo neste local vários reinos, entre eles Gaza, Asdod, Ascalão, Gat e Ekron. Ao mesmo tempo os hebreus, comandados por Josué, também alcançam estas terras, disputando com os filisteus a posse da Palestina. Quando as tribos hebraicas se unem sob o reinado de Saul, elas se fortalecem e, lideradas posteriormente por David, em I a.C, derrotam os filisteus e instalam a capital de seu reino em Jerusalém. Durante o governo de Salomão este povo vive uma temporada de paz; mas, com a morte deste sábio rei, os hebreus se dividem – no norte nasce o reino de Israel, com a capital situada em Samaria; no sul desponta o reino de Judá, que ocupa primeiro Hebron, depois Jerusalém como sede da monarquia.

Com a exceção de um rápido período de tempo, este território foi constantemente dominado por outros povos – a Assíria, os babilônicos, os persas aquemênidas, os greco-macedônios, é resgatada pelos Asmoneus, de etnia judaica, e então ocupada pelos romanos. Em 66 d.C. os judeus se revoltaram, mas foram sufocados pelo Império Romano, que aproveitou para destruir o templo de Javé, em 70; somente em 131 os hebreus voltam a se rebelar, mas são novamente derrotados por Roma, sob o poder de Adriano, que transforma Jerusalém em Colonia Aelia Capitolia. Sob o domínio romano, a Palestina vivenciou um período de progresso e desenvolvimento demográfico, sendo habitada em grande parte pelos cristãos, pois o Cristianismo era então a religião adotada pelo Império Bizantino, fruto da cisão do poder romano.

Em 614 os persas Sassânidas completam a ocupação do território palestino, mas em 638 esta área é completamente ocupada pelos árabes muçulmanos. Com esta composição étnica a Palestina é novamente ocupada, desta vez pelo Império Otomano, depois pelos franceses e, logo após o fim da I Guerra Mundial, ela passa para as mãos dos britânicos, que aí permanecem de 1922 a 1948, quando o povo judaico exige a formação de um estado hebraico nesta mesma região, com o nome de Estado de Israel.

Alguns historiadores afirmam que durante muito tempo os palestinenses – antigos habitantes da Palestina -, os filisteus, que emprestaram seu nome, do grego Philistia, a esta região, e os hebraicos, conviveram tranquilamente, em alguns momentos travando batalhas entre si, outras se unindo para expulsar alguma potência estrangeira. Segundo estes pesquisadores, o reino de Israel teria sido ocupado pelos assírios e integrado ao território deste povo, em 722 a.C. Até 1948, quando os judeus reivindicam seu espaço na região da Palestina, não se ouve mais falar de uma organização política com o nome de Israel.

Em 1947 a ONU decide dividir a Palestina entre judeus e árabes, mas estes rejeitam esta decisão e tem início um dos mais complexos e prolongados conflitos entre dois povos que há milênios disputam esta região, principalmente a cidade de Jerusalém – questão até hoje não completamente resolvida.

Oriente Médio

O Oriente Médio pode ser considerado como a parte do planeta que mais apresenta focos de conflitos, com destaque para as divergências entre árabes e judeus. Fato que teve início a partir da instauração do Estado de Israel, em 1947.

Em 1988, Palestina e Israel iniciaram suas participações em acordos de paz. Em 1993, por exemplo, Yitzhak Rabin, primeiro ministro israelense naquele momento, e Yasser Arafat realizaram um acordo de paz.

Tal acordo tinha caráter interino, dando autogoverno aos palestinos sobre os territórios ocupados, fato que permitiu um cessar fogo. No entanto, isso não foi suficiente, pois os atentados se intensificaram na região, desencadeados pela insatisfação por parte dos grupos radicais palestinos e israelenses. O problema tornou-se ainda maior com a morte do primeiro ministro israelense Yitzhak Rabin, assassinado por um estudante judeu ortodoxo contrário à retirada israelense da Cisjordânia.

Yitzhak foi sucedido por Shimon Peres, que seguiu com o processo de paz iniciado. No ano de 1996, Yasser Arafat foi eleito presidente da Autoridade Palestina com um elevado número de votos (88,1%).

A formação de um Estado palestino não aconteceu de maneira completa, tendo em vista que o controle militar e das relações exteriores ainda era de responsabilidade dos israelenses. No final da década de 90, os conflitos se tornaram frequentes pela iniciativa dos grupos radicais palestinos e israelenses, isso prejudicou o processo de formação do Estado da Palestina.

Os conflitos estenderam-se até os primeiros anos da década de 2000, tendo um aumento significativo na incidência de casos de atentados e confrontos armados, principalmente de ataques suicidas por parte dos palestinos. Desse modo, Israel respondeu rapidamente às ofensivas com diversos ataques ao território palestino, ocasionando a morte de terroristas e civis.

Diante do quadro desolador, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou e propôs, através dos Estados Unidos, a criação de um Estado palestino. Mesmo com essas iniciativas, o quadro geopolítico atual ainda é bastante conturbado, marcado por um elevado número de conflitos armados e atentados. Parece que as divergências não têm fim, tendo em vista que os israelenses culpam palestinos por não punir os extremistas contidos no território de sua atuação. Já os palestinos culpam os israelenses por agravar ainda mais a situação ao responder de forma armada aos ataques terroristas de seus extremistas. Em suma, parece que esse conflito é interminável, diante de tamanha intolerância externalizada pelos dois lados.

Não é possível destacar conflitos no Oriente Médio sem mencionar a questão do Iraque. No ano de 1990, o Iraque invadiu o Kuwait com o pretexto de que esse país não estava cumprindo com as normas da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) quanto ao volume de produção de petróleo. Ofensiva interferida pelos Estados Unidos, com a aprovação da ONU. Desse modo, iniciou a guerra do Golfo, que durou de 17 de janeiro até 28 de fevereiro de 1991, finalizando com a derrota dos iraquianos, frustrando os planos do líder Saddam Hussein. Essa guerra deixou um saldo de centenas de milhares de mortes, sobretudo de soldados e cidadãos do Iraque. Apesar de ter sido derrotado, o líder ditador não foi destituído do cargo, por outro lado, os Estados Unidos instauraram um embargo econômico, fato que intensificou os problemas sociais no Iraque.

Há outro problema geopolítico envolvendo o Iraque, a aspiração do povo curdo em obter sua independência política e territorial. No ano de 1991, os curdos tentaram buscar sua independência em relação ao Iraque, mas foram agressivamente impedidos pelas forças iraquianas que promoveram um verdadeiro massacre, milhares de curdos foram mortos, além disso, aproximadamente 500 mil se refugiaram para as montanhas existentes na região. Isso terminou somente com a intervenção da ONU, que criou uma barreira de proteção em favor desse povo.

Em 2001, no dia 11 de setembro, os Estados Unidos sofreram ataques terroristas, desse modo, o então presidente norte-americano George W. Bush solicitou junto à ONU aprovação para invadir o Iraque, pedido que não obteve aprovação de grande parte dos integrantes da organização. Apesar disso, os Estados Unidos invadiram o Iraque, e, em março de 2003, iniciou uma guerra, provocando a morte de mais de 100 mil pessoas e a rendição daquele país. Além disso, os estadunidenses destituíram Saddam Hussein da presidência do Iraque. Apesar do fim do governo ditador de Saddam, os conflitos ainda ocorreram durante sete anos. Somente em agosto de 2010 o exército dos Estados Unidos se retirou do território iraquiano, entretanto, cerca de 50 mil soldados permanecerão para realizar treinamentos.


Existe ainda, no Oriente Médio, a luta pela posse das bacias hidrográficas e águas subterrâneas, que tem motivado o surgimento de focos de conflitos armados, um exemplo disso é a bacia do rio Jordão, disputada entre Israel, Líbano, Síria e Jordânia. Há também uma acirrada disputa pelas bacias dos rios Tigre e Eufrates por parte da Turquia, Síria e Iraque.

Rastro de destruição: resultado da guerra do Líbano em 2006

Terrorismo

Terrorismo são atos violentos cometidos por pessoas ou grupos a fim de causar medo e danos materiais a um Estado ou uma população.

O termo surgiu durante a Revolução Francesa, a fim de designar as facções mais radicais do processo revolucionário, entre 1793-1794.

Esta definição voltaria após a Segunda Guerra Mundial, para nomear grupos separatistas ou de esquerda que usavam da violência para reivindicar seus direitos de emancipação.

Terrorismo no Mundo

A definição de ato terrorista depende de cada país, pois não há consenso no Direito Internacional sobre o que é terrorismo.

A Enciclopédia Britânica o estabelece como:

“Uso sistemático de violência para criar um clima de medo generalizado numa população e dessa forma atingir um determinado objetivo político. O terrorismo tem sido praticado por organizações políticas tanto de direita quanto de esquerda, por nacionalistas e grupos religiosos, e por instituições do Estado como Forças Armadas e policiais.”

Apesar da falta de consenso, alguns elementos parecem ser comuns nos atos terroristas do século XX e XXI.

O primeiro é que ele é realizado por pessoas com baixa tolerância a indivíduos que não estão de acordo com determinada ideologia.

De igual maneira, o terrorismo procura causar atos violentos espetaculares e que chamem muita atenção. Por isso, o alvo escolhido deve causar grande quantidade de vítimas ou ser num lugar que renderá horas de programas e reportagens televisivas.

Os Estados Unidos seguem a Doutrina Bush para definir quais atos recebem a classificação de terroristas.

Atentados Terroristas

O atentado de 11 de setembro de 2001, na cidade de Nova Iorque, contra as Torres Gêmeas e o Pentágono, foi considerado um marco para definição de terrorismo como o entendemos atualmente.

O grupo terrorista Al-Qaeda atacou os Estados Unidos com aviões civis no dia 11 de setembro de 2001

Da mesma forma, podemos citar os ataques:

  • 11 de março de 2004 (Madrid): explosões quase simultâneas ocorreram em algumas estações de trens da capital espanhola. Cerca de 190 pessoas morreram e 2000 ficaram feridas.
  • 01 de setembro de 2004 (Rússia): esse ataque aconteceu na cidade Beslan e ficou conhecido como “Massacre de Beslan”. Cerca de 1200 reféns foram mantidos dentro de uma escola durante três dias. Cerca de 330 pessoas morreram, entre adultos e crianças.
  • 07 de julho de 2005 (Londres): explosões aconteceram em diversos pontos da cidade, nas estações de metrô. Cerca de 50 pessoas morreram e 700 ficaram feridas.
  • 29 de março de 2010 (Moscou): 39 mortos e quase 40 feridos foi o saldo das explosões ocorridas em Moscou, na Rússia, por terroristas chechenos.
  • 13 de novembro de 2015 (Paris): em vários pontos da capital francesa, como a casa de shows Bataclan ou perto do Estádio da França, aconteceram explosões e tiroteios a civis. 137 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas.
  • 17 de agosto de 2017 (Barcelona): uma furgoneta atropelou vários pedestres na cidade de Barcelona. Igualmente, nas cidades de Alcanar e Cambrils se produziram explosões. Este atentado deixou 16 mortos e mais de uma centena de feridos.
  • 21 de abril de 2019 (Sri Lanka): no domingo de Páscoa foram contabilizadas várias explosões provocadas por ataques suicidas a cristãos em particular e turistas no geral. Foi um dos ataques mais sangrentos da história com 258 mortos e cerca de 500 feridos.

Grupos terroristas atuais

Os principais grupos terroristas no mundo são:

1. Al-Qaeda

O Al-Qaeda surgiu no Oriente Médio e trata-se de um grupo de fundamentalistas islâmicos que comandam parte dos atentados terroristas pelo mundo. Osama Bin Laden foi um dos líderes.

2. Estado Islâmico

O Estado Islâmico surge com a intenção de formar uma nação islâmica independente e atua principalmente na Guerra da Síria, além de ser responsável por vários atentados terroristas no mundo.

3. Boko Haram

Boko Haram que significa “a educação não islâmica é pecado” é um grupo terrorista que atua, principalmente, na Nigéria. Seu objetivo e criar uma república islâmica neste país utilizando meios como sequestros e ataques mortíferos aos inimigos.

Antigos grupos terroristas

Há grupos que cessaram suas atividades no século XXI, mas causaram pânico no passado recente da humanidade.

1. ETA (Pátria Basca e Liberdade)

O ETA é um grupo separatista basco, que tem sua origem no País Basco espanhol. Esse grupo terrorista lutava através da violência pela independência territorial da França e da Espanha.

2. IRA (Exército Republicano Irlandês)

Grupo paramilitar católico que desde os anos 60, começou a atuar pela saída das forças britânicas do território da Irlanda, ou seja, a separação da Irlanda e do Reino Unido. Encerrou suas atividades em 2005.

Tipos de Terrorismo

Apesar de serem caracterizados por ações violentas é possível diferenciar alguns tipos de terrorismo.

Terrorismo Indiscriminado

O próprio nome já indica que não existe um alvo específico. A principal característica é atentar contra a vida da população civil de forma indiscriminada.

Um dos meios é depositar bombas em latas de lixo, cafés, cinemas, metrôs e outros locais públicos, com o intuito de chamar atenção do governo e propagar o temor na população.

Esse tipo de terrorismo pode ser praticado tanto em tempo de paz como em guerra. Durante a Guerra da Argélia, os argelinos costumavam usar esse método contra os franceses.

Terrorismo Seletivo

Nesse caso, há um alvo específico e suas ações são principalmente pautadas na chantagem, tortura, terror psicológico, dentre outros.

Um notório exemplo desse tipo de terrorismo é o grupo estadunidense protestante e racista Ku Klux Klan (KKK), fundado em 1865.

Seus alvos eram principalmente a população negra dos Estados Unidos e, em menor medida, judeus e brancos que lutavam pelos direitos civis destas minorias.

Terrorismo de Estado

Aspecto da repressão militar durante a ditadura na Argentina

As ditaduras, com o pretexto de impor a ordem, praticam violações aos Direitos Humanos contra grupos políticos que não se enquadram nas leis do Estado de exceção.

Dessa forma, suspendem garantias constitucionais e encobrem as violências praticas pelas forças policiais.

Como exemplo, temos o terrorismo de Estado na época da Alemanha Nazista ou as ações do Estado inglês contra manifestações realizadas pelos irlandeses, como o Domingo Sangrento.

Terrorismo Comunal

Chamado também de Terrorismo Comunitário é caracterizado por manifestações e atentados que visam controlar e debilitar a capacidade produtiva da comunidade.

Assim são atingidos alvos como cisternas, pastos, gado, o direito de ir e vir e tudo que serve de sustento econômico para uma população.

Um exemplo claro são as regiões que são controladas por narcotraficantes, os quais passam a ditar as regras de convivência daquela população.

Terrorismo no Brasil

Devido a eventos internacionais, como a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016), o Brasil tornou-se um alvo potencial para o terrorismo.

A Polícia Federal tem monitorado certos grupos islâmicos e indivíduos que escrevem mensagens exaltando atos ou grupos terroristas.

Em outubro de 2018, havia dados que três brasileiros haviam se unido ao Estado Islâmico, na Síria.

Exercícios

Questão 1

(VEST – RIO) A Guerra do Líbano, o conflito Irã/Iraque, a questão Palestina, a Guerra do Golfo são alguns dos conflitos que marcam ou marcaram o Oriente Médio. Das alternativas abaixo, aquela que corretamente explica essa situação conflituosa é:

a) a disputa de terras favoráveis ao cultivo, como as encontradas na planície da Mesopotâmia, numa área desértica.

b) os grandes lucros provenientes do petróleo que não beneficiam a maioria da população nos países árabes.

c) o aumento, de forma rápida, do preço do barril de petróleo nos países membros da OPEP.

d) a criação do Estado de Israel, sob a tutela britânica, numa região de ricas reservas de petróleo.

e) o emaranhado de culturas, religiões e interesses estrangeiros numa área localizada a meio caminho entre a Ásia, Europa e África.
 

Questão 2

(UENP) Analise as assertivas abaixo referentes à Caxemira.

I. A Caxemira é uma região disputada tanto pela Índia quanto pelo Paquistão, em virtude de localizarem-se, nessa área, as nascentes dos rios Indo e Ganges, além de outras razões.

II. Índia e Paquistão travaram três guerras desde a independência da Inglaterra, em 1947. Duas delas foram por disputas da Caxemira.

III. A Índia controla 40% da Caxemira; o Paquistão, um terço; a China, o resto.

IV. Os muçulmanos são maioria na região e há 12 anos eles começaram a lutar pelo separatismo, num conflito que já matou mais de 33 mil pessoas. O Paquistão propõe um plebiscito para definir o futuro da área. A Índia prefere a mediação internacional.

Estão corretas:

a) todas as assertivas

b) apenas I e II

c) apenas II e III

d) apenas III e IV

e) apenas I e IV