Ilhas da discórdia

Ilhas da discórdia

Oito ilhas do Oceano Pacífico com 7 km² no total vêm esquentando as relações entre Japão, China e Taiwan. No último mês de setembro, os japoneses decidiram nacionalizar as ilhas Senkaku (chamadas de Diaoyu pelos chineses e Tiaoyutai pelos taiwaneses) ao comprarem três delas de seus antigos proprietários por mais de dois bilhões de ienes. O anúncio causou ondas de protestos na China e em Taiwan, e despertou antigas rivalidades. 

Não é de hoje que chineses e japoneses trocam farpas no âmbito internacional. As rusgas remontam ao final do século XIX, quando os chineses viram seu predomínio militar e cultural ruir na derrota durante as guerras Sino-japonesas. Além da supremacia militar, os japoneses também puderam anexar ao seu território o então arquipélago de Formosa (atual Taiwan) e as ilhas Senkaku. 

Desde então, o relacionamento entre os dois países só piorou chegando ao ápice quando os japoneses conquistaram a região chinesa de Nanquim. Estima-se que a guerra tenha provocado a morte de cerca de 300 mil chineses, com 20 mil mulheres chineses tendo sido estupradas pelos soldados adversários. Além disso, durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses foram acusados de testarem armas químicas e biológicas contra a população chinesa, atiçando ainda mais a rivalidade entre os dois países.

Senkaku no meio de interesses históricos e econômicos

No meio de tanta polêmica, não é de se estranhar que chineses e japoneses tenham um relacionamento tão estremecido. Entretanto, não é só a rivalidade histórica que vem motivando as discussões entre japoneses, chineses e taiwaneses desde então. No final da década de 60, uma missão da Organização das Nações Unidas (ONU) descobriu durante pesquisas que a região seria uma rica reserva de petróleo e gás, além do seu grande potencial pesqueiro, despertando novamente o interesse de chineses e taiwaneses.


O anúncio da compra das Senkaku em setembro último, de certa forma, marca o fim da política cautelosa que os japoneses mantinham sobre a região. Temendo possíveis reações de seu tradicional rival, o Japão nunca permitiu a exploração do arquipélago, que era mantido inabitado. Após o anúncio, multidões já foram às ruas na China reivindicando a posse do arquipélago e atacando as empresas japonesas radicadas no país. A marinha chinesa também tem dez navios patrulhando a região, enquanto barcos pesqueiros taiwaneses se aproximaram do território como protesto, sendo expulsos pela Guarda Costeira japonesa. 

Muito mais do que saber quem é o verdadeiro dono dos arquipélagos, a preocupação mundial deve estar direcionada para a manutenção da paz na região. Ainda que o fim dessa polêmica pareça estar longe, uma coisa é certa: embora questões históricas tenham sido levantadas pelos três países para justificarem a sua soberania, o verdadeiro motivo dos protestos está no subsolo no arquipélago e na rica zona pesqueira em sua volta.

Conflitos Mundiais

No mundo todo existem regiões que vivem intensos conflitos, originados pelos mais diversos motivos, que podem ser disputas por territórios, pela independência, por questões religiosas, recursos minerais, entre outros.

Em todos os continentes, é possível identificar focos de tensão que colocam em risco a paz daqueles que vivem nos locais que estão envolvidos.

Terrorismo e conflitos no mundo

Europa

No continente europeu, uma das principais causas de conflitos é a questão do povo basco. O povo basco está distribuído no nordeste da Espanha e sudoeste da França. Essa etnia luta pela independência política e territorial há pelo menos 40 anos. Os bascos correspondem a um grupo social de origem não identificada e que provavelmente teria chegado à península Ibérica há 2000 anos. Em todo esse tempo, as nações que estão subordinadas conservaram seus principais aspectos culturais, como a língua (euskara ou vasconço), costumes e tradições.


Localização no mapa da “Terra dos Bascos”

A partir desse fato, no ano de 1959 foi criado um movimento com ideias socialistas e separatistas denominado de ETA (Euskadi ta Askatsuna ou Pátria Basca e Liberdade). Com o surgimento desse grupo, tiveram início os atentados, sobretudo às autoridades.


Atentados terroristas

A Irlanda do Norte (Ulster) integra o Reino Unido e, por esse motivo, as decisões são tomadas em Londres. No caso da Irlanda do Norte, o que acontece é a luta entre católicos e protestantes. Os católicos lutam há pelo menos 30 anos em busca da unificação com a República da Irlanda e se opõem aos protestantes, que são a maioria e querem continuar dependentes ao Reino Unido. O grupo responsável pelas ações é formado pela parte católica que criou o Ira (Exército Republicano Irlandês). Esse exército realiza diversos atos terroristas, pois existe uma grande intolerância por parte dos grupos religiosos.


Explosão na Irlanda do Norte em 1998

Outro caso de focos de conflitos no continente europeu tem relação com a península balcânica. O desconforto ou descontentamento nesse caso diz respeito às questões étnicas, uma vez que estão inseridas na região diversas origens de povos, como os sérvios, croatas, eslovenos, montenegrinos, macedônios, bósnios e albaneses. As divergências contidas entre esses povos são desenvolvidas ao longo de muito tempo. O que provoca tensão nessa região é a temática nacionalista e étnica.


Península balcânica  – região de conflitos étnicos

África

No continente africano, o grande motivador dos conflitos é o modo pelo qual o continente foi dividido. Antes da chegada dos europeus, os africanos viviam em harmonia, pois os grupos rivais se respeitavam e isso não motivava instabilidade. No processo de colonização, os países europeus se reuniram em Berlim, em uma conferência, para definir a divisão do espaço africano, para que esse fosse administrado e explorado pelas nações envolvidas na reunião.

Entretanto, as fronteiras impostas pelos europeus não levaram em consideração as diferenças étnicas existentes no continente. Esse ato equivocado gerou a separação de grupos aliados, “união” de grupos rivais e assim por diante. Ao serem agrupados de forma desorganizada e sem analisar a estrutura social, cultural e religiosa, gerou-se uma grande instabilidade em vários pontos da África.

Tentativas da União Africana – um bloco de países africanos – para encerrar o conflito resultaram em um tratado de paz, assinado em 2006. O governo do Sudão apoiou o tratado, mas apenas uma facção, a do rebelde Minni Minawi, assinou o acordo. No tratado, o governo concorda em desarmar os Janjaweed, mas até agora pouco foi feito.


Conflitos na África e os grupos separatistas

Ásia

Na Ásia, o principal ponto de conflito está localizado no Oriente Médio, mais precisamente no confronto entre árabes e israelenses.

É comum encontrar nas mais diversas mídias notícias sobre os conflitos armados entre palestinos e israelenses. Geralmente, ocorrem por meio de ataques terroristas, atentados, homens-bomba, entre outros acontecimentos, sempre marcados por um alto nível de violência.


Os conflitos entre Israel e Palestina nasceram em tempos remotos, pois se enraízam nos ancestrais confrontos entre árabes e israelenses.

No Iraque, as divergências estão ligadas às questões religiosas, econômicas, territoriais e étnicas. O país é protagonista de confrontos com o Irã e o Kuwait, além da divergência eterna com os Estados Unidos.


Violência no Iraque

Outra questão territorial e com ideais separatistas é a respeito do povo curdo, que corresponde a uma nação sem pátria. Sua população é de aproximadamente 25 milhões de pessoas que estão distribuídas em grande parte da Turquia, Iraque, Irã, Armênia e Síria. Esses últimos, em grupos menores. A partir dos anos 1980, teve início o movimento separatista curdo na Turquia. A luta entre os rebeldes curdos e as autoridades gerou um saldo de pelo menos 40.000 mortes.


População curda vai às ruas em busca de independência

Em território afegão, a instabilidade política está presente há décadas e é promovida pela religião: 20% da população é xiita e 80% sunita. Além disso, existem as divergências e rivalidades entre as tribos nativas, promovendo um elevado número de refugiados (aproximadamente 3,5 milhões de pessoas).


Voluntários do exército xiita

Existe ainda no continente asiático um grande confronto entre Índia e Paquistão, foco de tensão estimulado pela intolerância entre mulçumanos e hindus, na região da caxemira, no norte da Índia e nordeste do Paquistão, área que integra o território indiano e que não é aprovado pelos paquistaneses.


O fundamentalismo muçulmano e o fundamentalismo hindu movimentam os
conflitos entre a Índia e o Paquistão pela incorporação da região da Caxemira

A Chechênia é um pequeno território de religião mulçumana que se tornou independente da Rússia, no ano de 1991. O governo russo não aceitou essa iniciativa e tal fato derivou grandes confrontos.


Destruição na Chechênia

Há também a questão entre a China e o Tibet. O Conflito teve início quando a China se tornou socialista no ano de 1949, e quando no ano seguinte esse país integrou ao seu território o Tibet, que possui uma restrita autonomia. Na busca por uma independência total, os monges budistas, sempre liderados pelo líder espiritual Dalai Lama, se rebelaram contra os chineses. Apesar disso, essa ação foi reprimida pelo exército chinês.


Questões territoriais marcam os conflitos entre o Tibet e a China

A Indonésia é um país constituído por um enorme arquipélago integrado, por cerca de 17.000 ilhas e abriga uma população estimada de 215 milhões de habitantes. Desse total, muitos são de etnias e religiões distintas, o que gera uma intolerância entre os grupos rivais e automaticamente confrontos armados.


Conflito entre Timor Leste e Indonésia

Territorialidade

Territorialidade é uma noção que deriva de território: uma zona ou região que estabelece uma jurisdição, pertence a um determinado Estado ou serve como campo de ação. O conceito, posto isto, costuma referir-se ao modo de circunscrição de algo consoante a sua realização territorial.

A ideia de territorialidade aparece no âmbito da sociologia, da psicologia social e de outras ciências. Trata-se de uma conduta ou atitude instintiva dos animais (incluindo o próprio ser humano) que promove a defesa do território que ocupam. No caso dos seres humanos, esta defesa também está relacionada com a cultura.

Para muitos pensadores, a territorialidade que nasce do instinto deriva na tendência de o homem vir a apropriar-se, defender e administrar determinados sectores geográficos. Esta identificação com o território permite construir a identidade e serve para satisfazer várias necessidades.

Em suma,  a territorialidade trata-se de um padrão de comportamento e atitudes que uma pessoa ou grupo de pessoas possui e que é fundamentado no controle (real ou concebido) de um determinado espaço físico, local ou de uma ideia, controle esse que pode ser concretizado por meio de marcação, personalização ou mesmo defesa num território.

A exemplo disso cita-se o controle mediante marcação, um meio de territorialidade, como colocar um objeto num determinado local a fim de marcar que alguém está ocupando-o ou o utilizando, como colocar um casaco na cadeira de um estabelecimento ou quando se insere uma estaca num local do terreno para fazer a marcação.

Existem ainda outras formas de territorialidade, tais como uma pessoa escolhendo uma cadeira em sua própria casa. Ou mesmo personalizar um escritório segundo seu estilo e gosto pessoal, sendo essa uma forma de indicar a identidade de uma pessoa.

Os Estados baseiam-se no conceito de territorialidade. Uma vez estabelecido um Estado, as autoridades gozam do monopólio do uso da violência na região e administram a zona a nível político. Efetivamente, para que se possa entrar ou sair do território, ou permanecer no mesmo, deve-se contar com a autorização das autoridades estatais (através de documentos de identificação/identidade, passaportes, visas, etc.).

A territorialidade pode beneficiar uma cidade, estado ou país, por exemplo, já que, por meio dela, os recursos são racionados e não haverá uma exploração acima do limite.

Ela pode ser vista também como uma forma estratégica de controle relacionada ao contexto social qual é inserida. E, ainda, independente do seu tamanho, uma área pode ser mantida e dominada por meio da territorialidade.

Os animais também exercem a territorialidade quando delimitam e defendem o seu habitat, impedindo que outros se aproximem ou se instalem na zona. Os cães, por exemplo, marcam o seu território com urina.

Na área do direito, por último, a territorialidade associa-se a uma ficção de tipo jurídico que estabelece que as embaixadas e os consulados fazem parte do território de uma nação, para além da sua localização real.

Ainda, no âmbito religioso, territorialidade refere-se a um conjunto de orientações e ações elaboradas por um grupo ou por uma instituição com o intuito de fazer o controle de um determinado território sobre o qual atua o poder do sagrado e onde tal poder é aceito mutuamente.

Estado-Nação

Quando falamos do conceito de Estado, referimo-nos aos mecanismos de controle político de um governo que rege determinado território. Organizações como um Parlamento ou um Congresso, instituições legais e um exército permanente são ferramentas utilizadas por um governo para controlar as várias esferas que compõem a sociedade de um Estado-nação.Um Estado-nação é constituído por uma massa de cidadãos que se considera parte de uma mesma nação. Sob essa perspectiva, podemos afirmar que todas as sociedades modernas são Estados-nações, isto é, todas as sociedades modernas estão organizadas sob o comando de um governo instituído que controla e impõe suas políticas.

Muito embora a entidade do Estado tenha existido em vários momentos de nossa história, há algumas características que diferenciam os Estados-nações modernos que observamos hoje daqueles que surgiram em sociedades tradicionais e não industriais. O sociólogo Anthony Guiddens pontua as principais diferenças que podemos observar ao compararmos os dois momentos distintos dessa forma de organização:

Soberania – A Idade Média caracterizou-se pelo absolutismo e pelos governos monárquicos, nos quais a figura do Estado estava atrelada à figura do Rei. Porém, os territórios sobre os quais esses Estados tradicionais exerciam domínio estavam muito mal definidos, e o nível de controle do governo central era precário, se compararmos com o que vemos hoje. O princípio da soberania de um Estado, ou o exercício da autoridade absoluta que um governo deve ter sobre o território ao qual pertence, era ainda mal definido e não era tão relevante quanto é nos Estados contemporâneos.

Cidadania – A ideia de cidadania, ou seja, a condição de cidadão que aqueles que detêm o direito de participação na vida política de um Estado possuem, não existia para a grande maioria dos indivíduos que integrava os Estados tradicionais. A maior parte da população demonstrava pouco ou nenhum interesse nos assuntos referentes aos seus governantes. Os direitos políticos, ou o poder de exercer influência sobre assuntos políticos, eram reservados apenas para uma pequena parcela da população. Em contrapartida, nos Estados-nações modernos, a maior parte das pessoas que vive sob a jurisdição de um sistema político é cidadã, partilhando de direitos e deveres assegurados por seu governo, tendo ainda o poder de interferência e influência nas decisões políticas de seu interesse.

Nacionalismo – O sentimento de nacionalismo é um dos pontos mais característicos de um Estado-nação. Esse sentimento está atrelado a um conjunto de símbolos e convicções vistos como traços representativos de uma determinada identidade nacional. O nascimento de um sentimento nacionalista tornou-se uma das principais fontes de força unificante e mobilizadora. Línguas em comum, religiosidade e símbolos foram usados como pontos de aglomeração de povos, que passaram a se ver representados por sua nacionalidade.

Exercícios

Questão 1

Sobre as principais conferências ambientais, assinale V para as proposições que considerar verdadeiras e F para as proposições que considerar falsas:

I. ( ) Um dos principais resultados da Rio+20 foi a chamada Agenda 21, cujo principal objetivo é elaborar uma proposta de ação que vise ao desenvolvimento sustentável.

II. ( ) A primeira conferência ambiental no mundo ficou conhecida como Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e foi realizada em 1972.

III. ( ) A Rio+10, também conhecida como Cúpula de Joanesburgo, foi realizada em 2002, na África do Sul.

IV. ( ) O Protocole de Kyoto foi elaborado durante a Rio +20 e tinha por objetivo metas para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

Assinale a alternativa correta:

a) FVFV

b) FVFF

c) VVFF

d) FVVF

Rio +10

A Rio+10 reuniu representantes de 189 países para discutir a preservação do meio ambiente, saneamento básico, saúde, fornecimento de água, entre outros fatores.

As conferências internacionais realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao debaterem assuntos relacionados ao meio ambiente, consistem em oportunidades para a elaboração de projetos na busca por soluções práticas e eficazes visando a proteção ambiental.

O primeiro grande evento foi realizado em Estocolmo, na Suécia, em 1972. Em 1982 ocorreu um novo encontro, em Nairóbi, no Quênia. O Brasil sediou uma conferência, organizada na cidade do Rio de Janeiro, em 1992, cujo evento ficou conhecido como Eco-92. Após 10 anos, foi realizada em Johanesburgo, na África do Sul, a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável.

Entre os dias 26 de agosto a 4 de setembro de 2002, a ONU promoveu em Johanesburgo, a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, também conhecida como Rio+10. Esse evento reuniu representantes de 189 países, além da participação de centenas de Organizações Não Governamentais (ONGs).

As discussões na Rio+10 não se restringiram somente à preservação do meio ambiente, englobou também aspectos sociais. Um dos pontos mais importantes da conferência foi a busca por medidas para reduzir em 50%, o número de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza (com menos de 1 dólar por dia) até 2015.
Foram debatidas questões sobre fornecimento de água, saneamento básico, energia, saúde, agricultura e biodiversidade, além de cobrar atitudes com relação aos compromissos firmados durante a Eco-92, principalmente colocar em prática a Agenda 21 (documento composto por 2.500 recomendações para atingir o desenvolvimento sustentável).

No entanto, os resultados da Rio + 10 não foram muito significativos. Os países desenvolvidos não cancelaram as dívidas das nações mais pobres, bem como os países integrantes da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), juntamente com os Estados Unidos não assinaram o acordo que previa o uso de 10% de fontes energéticas renováveis (eólica, solar, etc.).

Um dos poucos resultados positivos foi referente ao abastecimento de água. Os países concordaram com a meta de reduzir pela metade, o número de pessoas que não têm acesso a água potável nem a saneamento básico até 2015.

A busca pelo equilíbrio ambiental