Desertos e Semidesertos

Desertos e Semidesertos

Existem regiões áridas em todos os continentes. Quase sempre, elas são dominadas por altas pressões atmosféricas ou anticiclones, isto é, por centros dispersores de ventos. Por esse motivo, não recebem os ventos húmidos causadores de chuvas.

As altas pressões subtropicais, ao se instalarem sobre os continentes, são as principais responsáveis pela existência das regiões áridas. Por isso grande parte dessas regiões está localizada em latitudes subtropicais.

De qualquer modo, os ventos de todas as regiões áridas são secos.

As regiões áridas apresentam duas características essenciais:

– Escassez e irregularidade de chuvas;

– Grande variação diária da temperatura.

Dependendo da quantidade de chuvas caídas durante o ano, as regiões áridas são classificadas em:

– Desertos ou regiões áridas propriamente ditas, onde chove menos de 250 mm por ano;

– Semidesertos ou regiões semiáridas, onde chove de 250 a 500 mm por ano.

Geralmente os desertos estão situados no interior das regiões áridas.

As temperaturas das regiões áridas variam com a latitude. Se a temperatura média do ano for maior que 20 °C, podemos dizer que o deserto é quente. O Saara e o deserto da Arábia, por exemplo, são quentes.

Se a temperatura média do ano for menor que 20 °C, o deserto é frio. E o caso do deserto de Gobi, localizado em grande parte na Mongólia; a outra parte situa-se na China.

Portanto, as regiões áridas podem ser quentes ou frias. Em qualquer dos casos existe uma grande variação diária da temperatura.

Seja qual for o deserto, em condições naturais a agricultura é quase impossível nos desertos. Além da falta da água para as plantas, os solos não se prestam ao cultivo.

Florestas Tropicais

A floresta tropical é o bioma mais produtivo da Terra. Localiza-se na faixa entre os trópicos e é encontrada na África, Ásia, América Central, América do Sul e em algumas regiões da Oceania.

Em virtude da região em que estão localizadas as florestas tropicais recebem grande quantidade de luz solar e possuem um clima bastante quente. As chuvas são frequentes e abundantes e a umidade relativa fica entre 77 e 88%. Esses fatores garantem elevada produtividade primária, resultando em uma diversidade de recursos para os animais e contribuindo para riqueza de espécies incrivelmente alta nessas florestas. Em apenas 1 km² podem ser encontradas centenas de espécies de árvores, enquanto nas mesmas dimensões das florestas temperadas dificilmente encontra-se mais de uma dezena de espécies.

O estrato emergente das florestas tropicais é formado por árvores muito altas e dispersas (entre 40 a 50 m), que se projetam acima do nível geral formado pelo estrato arbóreo, que é composto por árvores que formam um dossel contínuo e muito denso, atingindo entre 24 e 30 metros de altura. Por causa da densa cobertura os estratos arbustivos e herbáceos são pouco desenvolvidos, mas respondem rapidamente a qualquer abertura nos estratos superiores. As folhas são perenes.

O estrato arbóreo concentra a maior diversidade de espécies vegetais, o que atrai diversos animais. Quase tudo em uma floresta tropical (fotossíntese, floração, frutificação, herbivoria e predação) acontece no alto do dossel. Há uma grande quantidade de formas vegetais que alcançam o dossel escalando os troncos das árvores, como as lianas. Há também elevada diversidade de epífitas, principalmente bromélias e orquídeas, que crescem enraizadas nos ramos e troncos úmidos superiores, mas extraem seus nutrientes da condensação atmosférica e da lavagem das copas e troncos pela água da chuva.

O solo das florestas tropicais é pobre em nutrientes. A maioria dos nutrientes está ligada à própria vegetação. A decomposição de matéria orgânica é realizada rapidamente pelos fungos e bactérias presentes no solo e os nutrientes são imediatamente absorvidos pelas plantas. Os principais agentes da ciclagem rápida dos nutrientes são fungos existentes nas micorrizas (associação entre as raízes e fungos), que garantem a retomada dos nutrientes pelos vegetais antes que sejam lixiviados pela chuva.

Floresta Boreal

A Taiga ou floresta boreal é um bioma formado principalmente por plantas do tipo coníferas, por isso também é chamado de Floresta de Coníferas. Localiza-se no hemisfério norte do planeta, abrangendo a Ásia (Sibéria, Japão), América do Norte (Alasca, Canadá, sul da Groenlândia) e Europa (parte da Noruega, Suécia).

O clima nessa região é subártico, caracterizado por inverno muito frio, longo e seco com temperaturas que chegam a -50º C. O verão é curto e úmido, os dias são mais longos e as temperaturas podem chegar a 20º C. As chuvas são pouco frequentes. Durante o verão ocorre degelo, formando lagos, pântanos e brejos. O solo é raso, pobre em nutrientes e coberto por folhas.

Taiga ou Floresta Boreal, na Sibéria (Rússia). Foto: Daniel Prudek

A Taiga transforma-se em Tundra à medida que se aproxima do Polo Norte. Há entre esses biomas uma zona de transição onde pouco a pouco o colorido das coníferas é substituído pelas gramíneas e arbustos baixos da Tundra.

Na Taiga as principais coníferas encontradas são os pinheiros, abetos, larícios e espruces. Essa vegetação possui algumas adaptações para sobreviver em regiões frias. As folhas permanecem vivas durante todo o ano e não caem, assim podem começar a realizar fotossíntese logo que a luz solar aumenta, não havendo gasto de energia para produzir novas folhas. No entanto, algumas coníferas possuem folhas caducifólias que caem durante o inverno para evitar a perda de água, é o caso dos larícios.

A forma de cone das árvores, com os galhos apontando para baixo, evita que a neve se acumule e danifique os ramos e folhas. As folhas são revestidas por uma resina que protege seus tecidos do frio e ajuda a manter a umidade e o calor. Outra adaptação é o pequeno tamanho das folhas, reduzindo a perda de água por transpiração.

A flora da Taiga é pouco diversificada devido às baixas temperaturas e água congelada. As árvores crescem próximas umas das outras, formando uma densa cobertura e impedindo a penetração de luz solar intensa. Assim, a vegetação rasteira é pouco representada, sendo constituída por musgos, liquens e alguns arbustos.

A fauna da Taiga é composta principalmente por mamíferos, entre os quais estão renas, alces, veados, lobos, ursos polares, linces, esquilos, coelhos, lebres e outros. Diversas aves também migram para esse ambiente durante o verão, pois são atraídas pela abundância de insetos que se multiplicam nos pântanos formados pelo degelo. A maioria dos animais migra para regiões mais quentes ou hiberna durante o inverno. Outros permanecem na Taiga, sendo protegidos do frio através de pêlos, penas e peles espessas. Alguns mudam de coloração para adaptarem-se, como o arminho (pequeno mamífero carnívoro) que é castanho-escuro no verão e torna-se branco no inverno, camuflando-se para se proteger dos predadores.

Embora a Taiga permaneça inalterada pelo homem em muitas regiões, visto que as condições ambientais são adversas, outras áreas são intensamente exploradas. As árvores da Taiga têm grande valor comercial. No Canadá, elas são utilizadas para produção de papel, uma atividade econômica fundamental para o país. Além disso, a mineração é uma atividade que também vem causando impactos negativos sobre esse bioma.

Floresta Temperada

A floresta temperada é um bioma encontrado no centro da Europa, sul da Austrália, Chile, leste da Ásia, principalmente na Coreia, no Japão e algumas partes da China e no leste dos Estados Unidos.

Também é chamada de floresta decídua temperada ou de floresta caducifólia porque as folhas caem no fim do outono.

Características

Conheça as principais características das florestas temperadas:

Paisagem típica de uma floresta temperada

Clima

As florestas temperadas apresentam clima temperado, com as quatro estações do ano bem definidas. O verão é quente e úmido, enquanto o inverno é frio e pode apresentar neve.

Os índices de chuva variam de 75 a 100 centímetros ao ano. A decomposição das folhas que caem no inverno garante a riqueza de nutrientes no solo, o qual adquire uma coloração mais escura.

Devido às diferenças no clima durante o ano, os animais e plantas apresentam estratégias de sobrevivência para cada estação.

Flora

A flora é composta por três grupos principais de árvores decíduas, coníferas e de folhas largas.

As folhas variam sua coloração durante o outono, indo de avermelhadas até tons de marrons e dourados. Logo no início do inverno perdem suas folhas, como forma de reduzir o metabolismo, que só voltam a aparecer na primavera.

Entre os exemplos de árvores das florestas temperadas estão os bordos, carvalhos, castanheiros, faias e olmos.

As árvores coníferas têm esse nome porque as sementes se desenvolvem em forma de cone. Essas árvores também são chamadas de sempre-vivas porque são verdes em todas as épocas do ano. São exemplos de árvores coníferas os abetos e cedros.

Além das árvores, a cobertura vegetal também apresenta arbustos, plantas herbáceas e rasteiras.

Fauna

A fauna nas florestas temperadas é bastante variada. Nesse bioma são encontrados javalis, gatos bravos, linces, lobos, raposas, aves de grande porte, ursos, esquilos e veados.

Por conta da definição clara das estações, há animais que têm comportamento peculiar no inverno, como os ursos, que hibernam, e os esquilos, que armazenam comida. Há, ainda, os animais de hábitos noturnos, como morcegos, corujas, gambás e gatos selvagens.

Devido às particularidades das regiões, a ocorrência de animais varia de floresta para floresta. Animais como marsupiais, ursos coalas, gambás e cangurus são comumente encontrados na Austrália.

Montanhas

O bioma se caracteriza como uma comunidade de animais e de plantas, que apresentam tanto a forma de vida, quanto as condições ambientais bem semelhantes. Cada tipo de bioma é representado por uma espécie de vegetação principal, capaz de lhe conferir uma determinada característica visual típica.

Um bioma pode se constituir de uma ou, até mesmo, de mais tipos de vegetações que predominam. E o macro clima exerce uma influência direta sobre ele. Assim como as condições do substrato, o solo, e demais fatores físicos.

Dessa forma, não há nenhuma barreira geográfica. Seja qual for o continente, os biomas apresentam semelhanças em suas paisagens, ainda que possam ter tanto animais quanto plantas diferentes, em virtude da diferença na evolução.

Os biomas consistem em enormes ecossistemas, que se formaram através de comunidades que conseguiram atingir o estágio-clímax. Recebem influência de fatores diversos, como das temperaturas extremas e médias da região, o tipo de solo, a latitude, o regime de chuvas e também o relevo.

Bioma de Montanhas: Localização e Características

Em grandes altitudes, que alcançam cerca de 3.000 metros, não há vegetação nas montanhas. Enquanto que a cobertura vegetal que alcança altitudes de 2.500 a 3.000 metros, se compõe de plantas orófilas, constituindo uma vegetação bem rasteira (campos alpinos, que apresentam em torno de 200 espécies diferentes), com capacidade de se adaptarem tanto à seca, quanto à baixas temperaturas.

A localização do bioma de montanha é nas enormes cadeias montanhosas, como é o caso das Montanhas Rochosas, dos Andes, dos Alpes, e etc.

Ao subirmos numa região montanhosa, a gente passa por inúmeros biomas. Sendo que, de todos eles, é considerado o mais baixo aquele localizado na região na qual a montanha se situa.

Nas montanhas rochosas, por exemplo, começamos no deserto. Conforme a altitude vai aumentando, é possível ver a floresta temperada de forma sucessiva. E também os campos alpinos e a floresta de coníferas. De acordo com localização da montanha, também pode ser possível passar por estepes e por campos.

A altitude é o fator climático que caracteriza esse tipo de bioma. É por esse motivo que, em montanhas altas, é comum encontrarmos neve em uma zona tropical, como acontece na área central da Cordilheira dos Andes. Além do mais, o clima também é bem frio, com termômetros marcando entre 10°C e 15°C durante o verão. E, no inverno, a temperatura fica abaixo de zero.

O bioma das pastagens e dos matagais das montanhas são constituídos de arbustos e de pradarias, com altitude de alpino, de subalpino e montanha em volta do mundo.

A localização dos matagais e das pastagens de montanha é na tundra alpina, ou seja, por cima da linha das árvores. Normalmente, elas costumam acontecer nas regiões de montanhas também, ao redor do mundo.

Tundras

A Tundra é um bioma frio e inóspito com um tipo de vegetação esparsa, em grande parte rasteira. Ela é considerada o bioma mais frio da Terra.

A tundra está presente no topo do hemisfério norte do globo, na região do Círculo Polar Ártico. Ela abrange países como Rússia, Groenlândia, Noruega, Finlândia, Suécia, Alasca e Canadá.

Tipos de Tundra

De acordo com localização, tipo de relevo e vegetação que desenvolvem, a tundra é classificada de duas maneiras, a saber:

Tundra Ártica: caracterizada pela latitude, a tundra ártica é encontrada nas regiões mais frias do ártico, próximas ao polo norte.

Tundra Alpina: caracterizada pela altitude e com clima mais ameno que a tundra ártica, a tundra alpina é encontrada no alto das montanhas chamadas alpes (cordilheira europeia), sendo destituídas de árvores devido aos fortes ventos que atingem a região.

Solo e Clima

Na Tundra, os ventos são muito fortes com baixo índice pluviométrico. O clima que caracteriza as regiões em que se desenvolve a tundra é polar, ou seja, seco com frio intenso na maior parte do ano.

A tundra é composta de duas estações. No curto verão (cerca de 2 meses) os dias são longos, podendo atingir temperaturas de no máximo 10°C. Ao contrário do longo inverno (cerca de 10 meses), o qual apresenta dias mais curtos com temperaturas negativas, que podem atingir o -40 °C.

Dessa forma, o solo da tundra é raso e formado por terra, pedras e gelo. Ele é chamado de “permafrost” (permanentemente gelado), o que indica seu congelamento na maior parte do ano, dificultando a existência de grande variedade vegetativa. No entanto, no verão a neve derrete formando regiões pantanosas.

Fauna e Flora

Ao pensarmos no clima da tundra, acreditamos ser impossível a vida numa região tão fria do planeta com condições tão adversas.

Entretanto, diversos animais fazem parte dessa gélida paisagem, donde muitos vivem na tundra somente no curto verão, migrando para regiões mais quentes no inverno.

Assim, além dos inúmeros insetos na tundra há lobos, ursos, alces, renas, cabras, roedores, raposas, lebres, perdizes, corujas, dentre outros.

Curioso notar que muitos animais que sobrevivem na tundra possuem uma coloração de pelagem decorrente da mudança de paisagem.

Assim, no inverno, a fim de se camuflarem, a pelagem de muitos animais permanece branca como a neve, enquanto no verão surgem mais escuras.

Da mesma maneira, a flora da tundra é variada, embora não existam árvores maiores justamente pelos fortes ventos frequentes na região.

No entanto, alguns tipos de vegetais adaptados ao clima polar se desenvolvem no bioma, por exemplo pequenos arbustos, ervas, líquens, musgos, gramíneas. Além disso, é possível encontrar pequenas árvores esparsas que sobrevivem ao clima.

Existem registros de que plantas carnívoras já foram encontradas nas tundras da Sibéria, mesmo estas sendo comuns em locais quentes e úmidos.