Exercícios

Exercícios

Questão 1

O Brasil começou a ser colonizado efetivamente na década de 1530, quando foram aqui montados os primeiros Governos-Gerais. O processo de colonização exigiu, com o tempo, um aparato completo de controle da vida social, tal como havia na metrópole. Entre esse aparato, estava o Tribunal da Inquisição, que chegou no Brasil em:

a) 1534

b) 1591

c) 1640

d) 1555

e) 1570

Questão 2

Dos mais de mil acusados de práticas religiosas heréticas, a grande maioria encontrava-se na cidade do Rio de Janeiro. Entre as acusações, estava a prática de “judaizar”. Quem era suspeito de efetuar tal prática?

a) Escravos malês

b) Judeus hassídicos

c) Huguenotes

d) Cristãos-novos

e) Puritanos

Questão 3

A partir do século XVI, a Igreja Católica teve um fortalecimento substantivo em Portugal, assim como na Espanha, o que se viu refletido na montagem do sistema colonial no Brasil, incluindo a implantação do Tribunal do Santo Ofício. Qual fator está ligado a esse fortalecimento do catolicismo português?

a) ao movimento místico dos carmelitas descalçados.

b) às imposições da Companhia de Jesus.

c) à influência do radicalismo islâmico dos mouros.

d) à Contrarreforma.

e) à Revolução dos Cravos.


Inquisição no Brasil

A Inquisição no Brasil teve início no período colonial. No momento em que o Brasil era descoberto, o movimento acontecia – já desde o século XII – na França, na Itália e em Portugal e na Espanha. Uma vez que era preciso combater a heresia (ameaça para a doutrina cristã) também nas suas respetivas colônias, o movimento se estendeu a elas, atingindo assim o nosso país entre os séculos XVI e XVIII.

A Inquisição, também chamado de Tribunal do Santo Ofício, foi um movimento da Igreja Católica Romana criado para combater a heresia, em que os supostos hereges eram julgados e torturados.

Como Ocorreu

Embora o controle da inquisição tenha estado presente no Brasil, seu desenvolvimento difere do que se passou em Portugal, onde o Tribunal do Santo Ofício estava instalado.

Visitas dos Inquisidores

O Brasil recebeu visitas de inquisidores cujo objetivo era investigar comportamentos e inibir qualquer prática alheia aos princípios estabelecidos pela igreja. Historicamente se fala em três ou quatro visitas: a primeira entre 1591 e 1595, a segunda entre 1618 e 1621, a terceira entre 1627 e 1628 e a quarta, supostamente, entre 1763 e 1769.

O primeiro inquisidor do Brasil se chamava Heitor Furtado de Mendonça. Os inquisidores, por sua vez, nomearam clérigos que seriam os responsáveis pelo controle dos hábitos e costumes nessa colônia portuguesa, cujo objetivo principal era exterminar qualquer prática adversa do catolicismo.

Investigações e Práticas de Heresia

Não só os padres eram orientados a observar o comportamento dos fiéis; além desses qualquer pessoa poderia acusar outra, inclusive anonimamente, o que propiciava a vingança entre vizinhos ou parentes em decorrência de desavenças cotidianas.

Havia uma lista preparada pela igreja onde constavam os que eram considerados crimes de heresia, dentre os quais se incluía feitiçaria, práticas judaicas, bigamia, adultério, sodomia, entre outros.

Assim, os principais perseguidos, os considerados hereges (ameaça para a doutrina cristã) eram curandeiros e especialmente judeus convertidos – os cristãos novos – que se acreditava que mantivessem às escondidas seus costumes religiosos.

Vale lembrar que os primeiros habitantes do Brasil eram os índios cujas práticas de cura de enfermidades iam sendo disseminadas pelos novos habitantes e as quais deram origem aos curandeiros, então perseguidos.

No que respeita aos cristãos novos (judeus) eles tinham sido obrigados a se converter em Portugal, mas tendo muitos fugidos para o Brasil, Portugal acreditava que distantes teriam a oportunidade de regressar ao judaísmo praticando sua fé e tendo espaço para a sua divulgação.

Torturas

Desde que houvesse suspeição, os clérigos nomeados abriam processos (foram abertos cerca de mil no Brasil), na sequência as pessoas eram presas – muitas vezes sem conhecer o crime de que eram acusadas – e eram extraditadas para Portugal para lá serem julgadas e torturadas através de métodos como a roda ou o polé ou mesmo a morte na fogueira.

Museu da Inquisição no Brasil

Em agosto de 2012 foi inaugurado o Museu da História da Inquisição do Brasil, em Belo Horizonte. Nessa capital, o dia 31 de março foi criado em memória às vítimas da inquisição.

O Museu conta com uma sala de vídeo e uma biblioteca onde existem documentos originais da época da inquisição, bem como nele estão expostas réplicas que foram feitas dos equipamentos de tortura.

Exercícios

Questão 1

(UFRJ) Para garantir a posse da terra, Portugal decidiu colonizar o Brasil. Mas, para isso, seria preciso desenvolver uma atividade econômica lucrativa. A solução encontrada foi implantar em certos trechos do litoral:

a) a produção açucareira.

b) a exploração do ouro.

c) a extração do pau-brasil.

d) a criação de gado.

e) o comércio de especiarias.

Questão 2

O país que atuava como parceiro econômico de Portugal na produção do açúcar por meio do financiamento dos engenhos, refinamento do açúcar e distribuição da mercadoria pela Europa foi:

a) Holanda.

b) Espanha.

c) França.

d) Índia.

e) Cabo Verde.

Questão 3

Qual era a estrutura básica da produção de açúcar implantada por Portugal no Brasil?

a) policultura, trabalho assalariado e grande propriedade.

b) monocultura, trabalho escravo e pequena propriedade familiar.

c) monocultura, trabalho assalariado e pequena propriedade familiar.

d) monocultura, trabalho escravo e grande propriedade.

e) policultura, trabalho escravo e grande propriedade.

Açúcar e Escravos

A lavoura açucareira rendeu a Portugal um montante que jamais seria alcançado durante todo o percurso colonial do Brasil.

Implantada a princípio nas planícies costeiras da colônia, a lavoura açucareira rendeu a Portugal um montante que jamais seria alcançado durante todo o percurso colonial do Brasil. Até mesmo a rica mineração, desenvolvida na região das Minas, não superaria as divisas geradas por meio da comercialização do considerado “ouro branco” americano.

Na porção litorânea, sobretudo do Nordeste, as condições de solo e de clima foram extremamente favoráveis ao desenvolvimento da cana-de-açúcar, com temperaturas mais elevadas além do rico solo de massapê. Na Europa, a demanda pelo produto era crescente e o prévio acúmulo de riquezas gerado por meio do comércio internacional de especiarias propiciara frutíferos investimentos nesta área.

Em todo o processo de produção, da plantação das mudas até o encaixotamento do açúcar destinado especialmente a Europa, o trabalho fora realizado por escravos. Se num primeiro momento a escravização recaíra sobre os nativos da terra – os indígenas – mais baratos e facilmente capturados, com o tempo, acentuou-se a substituição destes por cativos de origem africana, acima de tudo, pelo fato do tráfico transatlântico proporcionar uma generosa arrecadação aos sujeitos envolvidos e, em consequência, à Coroa Portuguesa.

O trabalho realizado pelos escravos africanos nos engenhos de açúcar era árduo e insalubre. As jornadas eram longas e tornavam-se mais exaustivas à medida que se aproximava o período da colheita da cana, uma vez que as tarefas a serem cumpridas aumentavam. Por vezes, o trabalho era interrompido por morosas sessões de tortura e castigos físicos, como forma de dominação e punição por parte do senhor. Uma das técnicas mais utilizadas era encaminhar o escravo ao “tronco”, onde tinha sua cabeça e membros imobilizados e ali ficava por horas e inclusive dias, tornando-o incapaz até de se defender contra a perturbação de insetos. O desgaste era físico e, sobretudo, moral.

Os que apresentassem um comportamento tido como incorreto ou aqueles que tentassem fugir para quilombos eram, se recapturados, imediatamente alocados nas moendas ou fornalhas, onde as condições de trabalho eram mais perigosas e precárias. Muitos perdiam suas mãos e braços nas moendas. Normalmente, ao lado destas, ficavam dependurados machados, utilizados pelos feitores para rapidamente decepar o braço preso de alguém, evitando, desta maneira, que o corpo todo fosse tragado pelas engrenagens.

Habitavam a chamada senzala, uma espécie de alojamento geralmente feita de barro, onde se acomodavam e se incomodavam os escravos. Não havia divisões internas e em algumas inexistiam janelas, o que criava um ambiente propício a disseminação de doenças. Lá dentro, as pessoas ficavam amontoadas e acorrentadas, para evitar de se evadirem do local. Muito comum era a presença de um “pelourinho” diante da senzala, tronco ereto com amarras para as mãos, onde os cativos eram açoitados na frente de todos, para servirem de exemplo a não ser seguido.

É habitual se pensar que, diante deste quadro hostil, marcado pela violência e opressão, os escravos se mantiveram conformados com sua difícil situação. Contudo, é válido ressaltar que muitas foram as revoltas, as negociações, as fugas, os sequestros realizados por esta gente, demonstrando que a sujeição do homem pelo homem é acompanhada, antes de tudo, da resistência.

O cantor e compositor Jorge Ben Jor possui uma bela música que ilustra um pouco das experiências dos escravos no universo rural do Brasil Colônia, inclusive nas lavouras de cana. “Zumbi” é o nome da canção. Uma boa pedida para quem se interessa pelo assunto.

O Martírio do Açúcar - os aspectos salvíficos da escravidão ...

Moenda de cana pequena, de Debret.